28.1.06

Casamento

Um casal de lésbicas vai exigir que o Estado as case. Ver mais aqui.

Acho bem. É uma questão de dignidade. Chega de discriminação.

Em contra, apenas consigo vislumbrar um argumento: o de que um casal homossexual não tem a mesma função social que um heterossexual, ou seja, não pode gerar filhos (com os métodos usuais, pelo menos). Mas também, que eu veja, ninguém está a pedir abono de família para filhos inexistentes.

Alguém encontra uma razão, no domínio da ética, já que a moral não pertence ao Estado, para negar o casamento homossexual?

10 comentários:

me :D disse...

.,...hmmmm concordo perfeitamente....so k essa do valor social de um casal gay é um cado weird.... acho que socialmente os casais não têm a funçao de fazer filhos lol, talvez primitivamente, ou até do ponto de vista de sobrevivencia têm esse papel, agora socialmente..... sei lá...socialmente a função é serem casal...lol...mas percebo o que queres dizer, acho que é mais uma questão de maneira de escrever :)

hugs

Anónimo disse...

Repent before it is too late! All you fag-loving liberals will burn in hell!
*rides his red elephant*
*yeehaa*
Oh, and another thing, ye who defies Intelligent Design shall rot in hell as well!
Its all a huge conspiracy by the queer and jews who want to take over the world!
*smirk*

Chef Alexandre disse...

Humano-socio-politico-filosoficamente qualquer casal, seja heterossexual, seja homossexual (masculino e feminino) pode gerar filhos biológicos com "métodos" perfeitamente "usuais" e terem filhos...

Concordo com o comentário anterior: "a função de um casal [seja heterossexual, seja homossexual (masculino e feminino)] é a de serem... casal".

O que muda com um papel assinado e passado pelo Registo? Benefícios fiscais? O que muda REALMENTE para o casal [seja heterossexual, seja homossexual (masculino e feminino)]?!?

/me disse...

Muda algo mais que isso. Para além de passarem a ser reconhecidos pela sociedade civil enquanto casal, passam a adquirir outros direitos que não apenas os do domínio da Fiscalidade. Como horários fora de visita nos hospitais ou direitos a nível de heranças.

Não vou argumentar sobre a importância do casamento em si, que para mim é evidente mas para outros poderá não ser. Mas a questão não é essa; é antes porque devem ser os homossexuais privados do casamento?

on disse...

Direito ao casamento: concordo totalmente. Adoptar crianças: isso é um pouco mais complicado. Não tenho uma posição que considere definitiva sobre o assunto. Mas acho que seria mais razoavel avançar por etapas. Há muitas pessoas que se a adopção for incluida não assinam. Eu sou uma dessas.
Qual será a melhor estratégia?
Não será preferível deixar a adopção de fora?

/me disse...

Concordo contigo, on, há que avançar com calma e salvaguardar os interesses das crianças. Porém, cito a ILGA, "[...]a adopção é uma outra questão regulada, aliás, por uma lei específica."

Claro que pode é estar a abrir-se a caixa de Pandora...

Chef Alexandre disse...

/me concordo contigo quando dizes: "porque devem ser os homossexuais privados do casamento?". Mas a mim quando se fala em casamento, penso sempre na instituição "imposta" pela Igreja Católica. Daí o meu torcer de nariz. Contudo, apoio inteiramente estas raparigas.

Goldmundo disse...

Chef, a instituição "casamento", o casamento civil a que se pretende que os homosexuais possam aceder, não foi "imposta" pela igreja católica. Foi imposta CONTRA ela, no séc. XIX, pelos estados liberais. A igreja tinha, e tem, o sacramento do matrimónio, e essa é uma questão inteiramente diversa.

O que é verdadeiramente absurdo, no meio disto, é que o Estado (porque é de lei que se trata aqui) imponha a celebração de um contrato "de adesão" (no sentido em que as suas cláusulas não podem resultar da vontade concreta de cada duas partes que o celebram, mas estão completamente pré-definidas) para coisas tão sérias como as que foram aqui referidas: "visitas fora de horas nos hospitais", ou heranças, por exemplo (quanto às heranças, há um sistema civilizado - o de isso ser completamente regulado por testamento - e sistemas selvagens, como o nosso).

Entretanto, aguardo o desfecho da história dessas duas raparigas com o maior amor por elas. E, já agora: não gosto da palavra "lésbicas". Na origem, é absolutamente insolente.

Anónimo disse...

hoje em dia os casais homossexuais já têm filhos, esta é a realidade. Mas se nao houver legislaçao sobre este tema e enquanto nao se aceitar os factos essas crianças nao têm os mesmos direitos do que os filhos dos casais heterossexuais. Acho que esta situaçao nao deve ser muito constitucional.

Chef Alexandre disse...

Concordo contigo goldmundo em relação à palavra "lésbica", mas mais na versão castelhana: "lesbiana". A sua origem nas mais diversas versões linguísticas vem da palavra "Lesbos". Lesbos é uma ilha grega onde provavelmente nasceu e viveu Safo. Safo é a única poeta grega mulher que chegou até aos nossos dias, aliás, a sua obra é que chegou. Safo seguia à risca todos os ensinamentos grgos da altura. Enquanto os homens tinham os seus "aprendizes", as mulheres tinham as suas "aprendizes". A passagem de testemunho era feita a todos os níveis, incluindo o sexual. Na Grécia antiga não havia homossexualidade, nem heterossexual ou bissexual - segundo o que penso. Portanto Safo terá sido a primeira lésbica - óbvio que não. As origem da palavra "lésbica" são fascinantes. Mas é uma palavra forte sim.