17.1.06

Amor

Tenho vindo a rever ultimamente o meu conceito de amor. Sou um incorrigível romântico, acredito que é possível encontrar alguém a quem amar, e amar cada dia mais e mais completamente. Mas é preciso muito carácter e muita inteligência para ultrapassar todos os obstáculos pelo caminho.

Às vezes amar não basta. Eu pensava que sim, mas o tempo ensinou-me o contrário. Tem de se saber. Até porque há quem ame de formas diferentes, o amor não é todo igual. Saber lidar com isso exige muito de nós, muito mais do que alguns estão dispostos a pagar.

Há tantos desiludidos do amor, pessoas para quem o mesmo é como o Pai Natal, uma história que nos contaram em pequeninos. E também tantos que decidiram não arriscar mais. Não os culpo, de facto é difícil. É um risco acreditar, porque dói muito quando falha.

Apesar de tudo, é lotaria para a qual sempre comprarei o bilhete.

11 comentários:

Anónimo disse...

Não sei se quando dizes que para alguns o amor é como o Pai Natal, uma história que nos contam quando somos pequeninos, te referes às pessoas que dizem que já não acreditam no amor ou às pessoas que actuam como se o amor fosse um conto de fadas, cheios de normas e complicações -- que "brincam aos namorados", como eu costumo dizer.
Eu sou da opinião que uma relação deve ser sobretudo natural, que o ar que respiram as duas pessoas deve ser leve e descomplicado. Imagino que o que digo soa muito a senso comum, mas de facto tenho a impressão que a maioria das pessoas, ao envolver-se numa relação, assume um conjunto de normas e obrigações que por vez de ajudarem a construir e a fortalecer a relação, só criam distância entre elas e a pouco e pouco vão dando azo às inevitáveis confusões e mal-entendidos que separam sem remédio duas pessoas que antes se queriam.
Também sou romântico, mas cada vez concebo com mais frieza uma relação de amor. Acredito que se deve mais a um impulso hormonal do que a uma qualquer razão mística; que se deve aos nossos olhos, e depois a uma "predisposição para" que podemos ou não ter, do que a acessos de bondade sublimada e altruísta a que o nosso coração pode estar sujeito.
E concordo sobretudo com a tua penúltima frase, quando dizes que dói quando falha. É que dói mesmo muito... Por isso não sou de apostar em lotarias, porque a sorte não costuma sorrir-me. Seja como for, também espero e ainda tenho fé de que me caia do céu um bilhete dourado. Tenho esperança de que o meu coração dispare "loucamente" por alguém que consiga fazer do nosso ar comum um ar leve e perfumado, de luz clara, que não deixe de ser a pessoa por quem me apaixonei para passar a ser o meu namorado... Já não estou na idade de brincar às casinhas...

(Céus, que lamechas me parece agora o que escrevi...)

Enoch

olga disse...

É como a lotaria. Gasta-se o dinheiro e não sai o prémio! :)

/me disse...

Enoch,

Eu sou complicado, no amor. Sou capaz de me esquecer de algumas normas, de alguns preceitos, mas para mim é muito importante fazer o que acho correcto, antes de mais. Isso coloca alguns travões...

Apenas namorei uma vez, e foi uma experiência dolorosa, mas positiva. Ensinou-me muito, do quão difícil é, mas não me desiludiu em nada quanto ao amor.

Não sei muito bem de que normas e obrigações falas, mas acho que uma relação obriga a um diálogo constante em que se deve ser flexível.

Sem dúvida que há muito de impulso hormonal no Amor, mas acaba por ser também uma decisão racional, de querer partilhar e valorizar o bem estar de alguém mais do que o de teu.

Finalmente, não disfarças. :p Acreditas no Amor tanto quanto eu!


Olga, que é esse pessimismo??? Esta lotaria dá mais que uma vez na vida! É preciso é saber o que fazer depois de calhar um bilhete vencedor...

/me disse...

O Enoch e a Olga que passem por cá, que têm direito a 10 bilhetes cada. Extendo esta magnífica oferta a todo e qualquer um que coloque aqui um comentário. :)

dcg disse...

Gostei muito deste teu post.
Concordo com muito do que dizes. Principalmente nesta parte:

"Até porque há quem ame de formas diferentes, o amor não é todo igual. Saber lidar com isso exige muito de nós, muito mais do que alguns estão dispostos a pagar."

Eu acho que nunca estive realmente disposto para o amor.

/me disse...

Vais a tempo, different common guy, vais a tempo. :)
Boa sorte!

Mindful disse...

Já disse tudo:

http://unpronounceable.deslizo.net/2005/08/reflexo.html

E mais não digo! :P

Luis disse...

Olá!
Nem imaginas como foi agradavel ler este texto.
Concordo em muitas coisas contigo. Sublinharia apenas -> o medo que as pessoas ganham a arriscar e que todos somos diferentes e mesmo nós, com o passar do tempo vamos mudando a nossa forma de amar.

Mr Fights disse...

K conste que só estou a comentar porque quero os 10 bilhetes!!!

Ainda não desisti nem pretendo fazê-lo

olga disse...

Isto do péssimismo são fases, pois está claro!!É pq tou naquela fase em q perdi o bilhete, mas se aqui dão 10... Eu vou aparecendo!! :)

MaDi disse...

Há pessoas que simplesmente não sabem amar.