31.3.06

Homofobia


Excerto do hino de campanha da Galp Energia relacionada com o mundial de futebol 2006:

É o retrato de um país aplicado ao futebol.
Tem tudo o que é preciso, só perde por ser mole.
Toca a acordar, pessoal!
Queremos mais garra,
deixar de ficar felizes quando a bola vai à barra.
Vamos com tudo, meter o pé, chutar primeiro,
Que o último a chegar é panel****.
Ter medo deles? Isso era dantes!
Vamos embora encher de orgulho os emigrantes.
Sem esquecer que nas grandes emoções
quando grita um português, gritam logo 15 milhões.



Já enviei o meu protesto para galp@galpenergia.com. Agora fico curioso em ver qual dos jogadores será o último a chegar.

Gosto muito do Ballack. Se ele assinasse pelo Benfica é que era!


Actualização: A GALP decidiu retirar a palavra panel**** da página de internet. 'Bora celebrar, quero ver tudo a pular!! E quem não salta, é panel****... uups...

This modern world



Legenda: As long as you don't flip-flop...



Legenda: Meanwhile, across the galaxy...



Legenda: It has always been this way...

Emoções

Se forem ali (mas voltem), poderão ler um texto sobre como lidar com as emoções, que cita o psicoterapeuta Jaime Graça Machado:

Bem disposto?
– Sempre!Também há pessoas que aprendem a suprimir e a negar os seus sentimentos através de distanciamento e insensibilização em relação a eles. Autodesligam-se dos seus sentimentos sem, contudo, terem consciência disso. Assim, quando essas pessoas são recompensadas socialmente por mascararem as suas emoções, acabam muitas vezes sentindo-se não ouvidas, alienadas, zangadas e deprimidas, sem saberem porquê. As suas vidas podem até parecer correr às mil maravilhas, mas elas sentem-se vazias, não preenchidas. Isto porque estão separadas das suas próprias emoções.

Que fazer com as emoções?
O primeiro passo na gestão das nossas próprias emoções e sentimentos é aceitá-las sem juízos de valor nem de culpabilidades. Ao aceitar as suas emoções e sentimentos está também a aceitar uma parte de si, cheia de força de viver, cheia de sabedoria sobre si próprio e sobre a qualidade das relações que estabelece com os outros, em especial de quem mais ama."


O tema é fundamental. Todos queremos ser felizes, mas às vezes é difícil gerir o que se sente. Prefiro ser cauteloso e não ter grandes certezas neste campo. Quando era miúdo barrei os sentimentos. Envergonhava-me o meu descontrolo; chorava copiosamente para me estar a rir cinco minutos depois. Excesso de empatia? Talvez, mas onde a palavra chave era excesso. Não era sustentável.

Fiz um esforço tremendo para me controlar. Tão grande que pensei ter secado a fonte dos sentimentos. Havia um turbilhão por dentro, pressentia-o, mas demasiadamente profundo para que o conseguisse sentir. Fui de um extremo ao outro. Passei de muito sensível a irritantemente perfeito, com um auto-controlo enorme e inconsciente, nalgumas áreas. De vez em quando, assomava em mim uma ponta de tristeza, insinuante, e sabia estar a viver por procuração. Mas, perdida a chave da cela onde tinha encerrado os sentimentos, já nada dependia de mim.

Acabei por pagar a factura, mais tarde. Numa fase em que a maior parte das pessoas já tinha construído a sua personalidade, uma depressão arrasou a minha. Claro que nem tudo foi abaixo, não se deixa de ser quem se foi, mas tive de reaprender a sentir, a sorrir e finalmente descobrir como lidar com os sentimentos. Foi uma oportunidade única - pude escolher, em grande parte, só de uma vez, quem e como queria ser - mas com um preço elevado. Com o tempo, aprendi a deixar fluir os sentimentos sem me permitir ser dominado por eles. Agora sei suster uma dor ou alegria dentro de mim e ir libertando-a aos poucos. Consigo abrir as portas da barragem quando necessário e apenas permitir a água esgotar-se às gotinhas quando deve ser.

É curioso, o conflito entre a razão e a emoção. Somos animais, não há como mudar isso - sentimos porque sentimos, é da nossa natureza - mas ao mesmo tempo o que nos fez subir na escala da evolução é a inteligência. Não podemos escusar-nos a usá-la, como moderação dos sentimentos, ou melhor, como doseador. Acredito sinceramente que podemos induzir em nós mesmos estados de felicidade ou estados depressivos. É preciso ser bom gestor. Deixar fluir as emoções negativas e aprofundar mais as positivas. Por essa razão, evito músicas, filmes ou livros que me possam puxar para baixo quando não me sinto seguro. Protejo-me como posso. Mas já não me impeço de sentir.

Na minha opinião, o meio termo é a melhor solução. Todos temos direito a sentir alegria, tristeza, gratidão ou mesmo raiva. Reconhecer o que se sente é necessário. Mas é preciso lidar com os sentimentos. E isso pode ser muito complicado. A nossa melhor arma, a inteligência, pode ser o nosso pior inimigo. É só uma questão de saber usar o que temos à nossa disposição. Há quem consiga instintivamente fazer a gestão dos sentimentos, mas creio que o melhor caminho é o auto-conhecimento.

30.3.06

Aritmética da paixão

Decidi-me calcular a percentagem de homens namoráveis na área da Grande Lisboa (a título de exemplo), onde vivem aproximadamente 3 milhões de pessoas.

Destas, cerca de metade (1.5 milhões) serão homens.

- Três em cem destes homens serão homossexuais/bissexuais e suficientemente assumidos perante eles mesmos, o que perfaz um total de 45 mil pessoas.

- Se quinze em cada cem for de uma idade (no sentido lato) compatível com a minha, restam 6750.

- Retire-se os oitenta por cento que andam no engate - ficam 1350.

- Três em dez hão-de atrair-me fisicamente: 405.

- Destes, um em cinco são compatíveis comigo psicologicamente: 81.

- Finalmente, com todas estas qualidades, com cerca de metade, ou seja 40, é possível que eu sinta o tal click.

- Mas, claro, uma boa parte destes estarão já comprometidos.


Onde estarão os restantes 20?

29.3.06

Da Holanda com amor


Reparei que já há algum tempo que não colocava uma imagem aqui. É injusto, e não é justo (esta é a mais recente entrada do livro de estilo), e decidi compensar os meus estimados leitores. Então, fiz uma imagem no paint, no mais autêntico estilo revivalista. Quero com isso dizer que se eu desenhava mal quando era puto, também não aprendi nada entretanto. Mas shhh, isso fica entre nós, ninguém tem de saber. Aos outros dizemos que é revivalista!

"Chamo atenção aos deliciosos pormenores infantis, demonstrativos de uma maturidade artística incomum por parte do artista. Quatro dedos em cada mão, pés ovais. Flores sem folhas, com aspecto murcho, suportadas por caules anoréticos. Ausência de qualquer noção de profundidade ou de luz. Uns "v" a fazer de pássaros. A representação simbólica insípida dos raios de sol.

Esta pintura a píxeis, aparentemente inocente, levanta questões deveras profundas. À primeira vista estas estão escondidas, mas uma análise atenta, tomando necessariamente em conta a vida e obra do artista, expõe metáforas que podem ser levadas aos limites da metafísica e que levantam as mesmas interrogações que têm perturbado os filósofos nas últimas décadas. Trata-se portanto de um trabalho de actualidade, com uma superficialidade profunda, num paradoxo de oxímoros que nos transporta a uma dimensão superior daquela a que estamos habituados."

Eis portanto um desenho fiel a a mim mesmo, coerente com a minha obra até agora, in touch with my inner child, a dar razão às notas não-tão-boas a educação visual.

Dedicado ao amigo a quem prometi dedicar.