3.3.06

Amigos

Há amigos que é fácil tomar como garantidos, porque sabemos que aconteça o que acontecer, nada muda. Bom, até faz sentido tomá-los como garantidos, porque o são mesmo, e ainda bem! Isso não invalida é que de vez em quando se mande uma mensagem ou diga qualquer coisa, bem sei. Mea culpa, mas ando preguiçoso nessas coisas, e até mais frio, desde há uns meses. Está na minha lista de coisas a mudar. Peço paciência!

Este texto é dedicado àquela minha amiga que fez greve ao blog porque não queria ter de ficar sempre a saber as novidades só por este.

2.3.06

Memória de 2005



O pai do meu (então) namorado a entrar de rompante no combóio, com um ar ensandecido, para ver com quem é que o filho ia ao Algarve.

(ninguém merece... em particular, nem ele nem eu)

A origem dos preconceitos

É difícil explicar o porquê de tantos preconceitos relativamente à homossexualidade. Um preconceito, por o ser, não se desmonta apenas racionalmente, mas com tempo e persistência. Este, porém, parece estar tão fortemente enraizado que é razão suficiente para pais expulsarem os filhos das suas vidas, amigos deixarem de se falar ou até pessoas serem assassinadas.

Historicamente, períodos em que a homossexualidade foi tolerada alternaram com períodos de forte repressão. Sabe-se isso apesar de registos históricos terem sido sistematicamente "corrigidos", poemas homoeróticos sofrido alterações de géneros ou enciclopédias conterem ainda hoje mentiras deliberadas.

Há uma diferença fundamental entre os homossexuais e outros grupos que foram sendo perseguidos, como os judeus. No caso dos últimos, estes viviam em comunidades bem identificadas, e a sua história e cultura foi sempre sobrevivendo. Os homossexuais, porém, viviam "entre os outros", sem se agruparem em bairros específicos e sem facilidade de se identificarem entre si. Nunca existiram enquanto sociedade organizada, sendo que ainda hoje têm de redescobrir toda uma série de coisas por si. Não têm pais a ensinar-lhes as tradições do grupo, como os judeus. Foi assim sendo bem mais fácil apagar a história da homossexualidade, e fazer parecer a cada homossexual que está isolado e é uma aberração.

É duro quando se ouve que por aquele ser maricas, panasca, roto ou paneleiro, é por consequência depravado, primário, doente, pervertido. Ouve-se isso dos pais, dos amigos, dos irmãos. Basta aparecer uma parada de gay pride na televisão (que também reforça imenso os preconceitos) para que se ouçam desejos de mortes e torturas para todos os sodomitas. Depois vêm estatísticas a dizer que entre os adolescentes que se suicidam, uma enorme percentagem têm diferenças de orientação sexual. A escolha de não reprimir a sexualidade parece ter o custo de se ser um monstro. E depois, ainda há quem argumente que os homossexuais são doentes mentais dizendo que sofrem mais depressões e se suicidam mais que os demais. Up yours.

A solidão, a dor, a confusão, de quem assim descobre em si uma diferente orientação sexual são enormes. Quando os próprios familiares se referem (sem o saber, é certo) a eles como anormais, que consequências isso não terá?

A oportunidade histórica que surge agora para os homossexuais tem de ser agarrada com as duas mãos. Já antes houve períodos de abertura que culminaram em repressões ainda maiores, mas o processo agora parece ser irreversível. Sê-lo ou não passa por todos; terá alguém o direito a se calar quando outras pessoas, aliás racionais, debitam preconceitos como se nunca tivessem usado o cérebro?

1.3.06

Gripe das aves vs global warming




Diz aqui que detectaram a gripe das aves num gato, o que é naturalmente preocupante.

Por outro lado, li recentemente uma teoria segundo a qual a Peste Negra teve como consequência serem abandonados campos de cultivo, o que fez com que certos terrenos fossem naturalmente reflorestados. Resultado: As árvores absorveram mais CO2 e a temperatura global baixou em toda a Europa, provocando a chamada pequena era glaciar o que é atestado em quadros e relatos da época. Diz-se que o Tamisa chegou a congelar.

Fico sem saber se torcer por ou contra o raio da gripe. A longo prazo, o que será menos mau?

"Onde é que isto vai parar?"

Porque é que nas notícias os advogados, os empresários e os políticos são jovens até aos 35-40, as vítimas de acidentes rodoviários até aos 26-30 e os traficantes de droga e assaltantes a bombas de gasolina já são homens (é que nem rapazes) a partir dos 19?

Se é uma questão de inocência, aposto que há traficantes de droga bem mais impolutos que muitos futuros políticos aos 18 anos. Os últimos, pelo que vejo de dirigentes de associações de estudantes, despojaram-se já de ideais e vendem com cinismo a alma e as convicções pela obtenção futura de um lugar privilegiado. Estranha sorte a nossa, que vemos esta mole de gente sem espinha ou competências a arrastar-se pela mediocridade do ensino até à licenciatura aos 28 anos e um lugar garantido num gabinete ou numa embaixada.

Se calhar já era de ter algo como as Grandes Écoles. Sim, é elitista, mas prefiro ser governado por alguém com competência do que por pessoas que não apresentam mais que boa vontade (nas raras vezes em que o fazem). Não é amor por títulos ou a glorificação do conceito foleiro do senhor doutor; é de facto necessário formar quem vai mandar em nós. Claro que um sistema como as Grandes Écoles favorece cumplicidades e promiscuidades futuras entre os líderes que se fazem lá amigos, mas não poderia ser pior que a situação actual.